domingo, 31 de julho de 2011

Meu coração na Convenção de Taquara.

Longo post...

Uma certeza eu tenho: tentamos. E tentamos firmes, e tentamos fortes, e tivemos apoio. De muitos sem direito ao voto e de 17 com direito. Eu queria saber o nome dos 17 pra poder agradecer à eles pessoalmente.

De tarde, eu e outras prendas conversávamos sobre o quanto já idealizamos o tradicionalismo como um Movimento bom, puro e mágico.  
E que não é isso que nós vemos sempre...
O que eu disse pra elas é que eu sigo acreditando neste Movimento sim, e que é por isso que eu insisto tanto no que eu acredito. O Tradicionalismo é bom. Algumas pessoas que não são (ás vezes, 1 única pessoa consegue dominar os outros de tal forma que chega a ser nojento).

E enquanto eu acreditar, eu vou continuar. Mesmo que seja chorando, mas eu vou seguir tentando. O nosso tradicionalismo puro e encantador ainda será uma realidade. A realidade que foi um dia quando aqueles jovens se organizaram pra fazer FORTE a cultura do Rio Grande. E verdadeira. Acima dos interesses pessoais, acima da politicagem.

E foi assim...

Quando iniciaram os trabalhos sobre a Ciranda, já era bem mais de 17h (horário previsto). Mas consequência de bons debates que estavam acontecendo.O evento, desta vez, estava bem organizado. Eu e a Jessilena, que enviou a proposição pela 1ª RT, nos postamos prómixas ao microfone, na lateral do público. O Sr. Savaris começou falando das proposições enviadas e dizendo que a nossa não fora aceita integralmente pela Comissão, mas que a Comissão adotara uma posição intermediária.

Após o Regulamento todo lido, o único debate sobre a Ciranda que pude acompanhar além do nosso (pois a excursão precisava voltar) foi uma proposição que dizia que as 3ª Prendas não deviam mais compor os prendados, ou seja, que houvesse apenas 1ª e 2ª Prenda por modalidade (igualmente para Peão). Felizmente - na minha opinião - não fora aceito.

Chegaram ao item da Idade máxima para a Prenda Adulta, com a idéia de que fosse de 27 anos no máximo (no Estadual) - o intermediário entre nossa proposição e o regulamento atual. Não era o que a gente queria. A gente não quer o mais ou menos. A gente quer o melhor pra todos.

A Jessilena defendeu, falou do sonho de tantas Prendas, falou que a idade não deveria ser limitante. Sugeriu que tivéssemos então, idade máxima para o Conselho. Pra dar chance aos demais, se a idéia é essa. Falou um monte mais..

Falei eu depois.

Falei que era uma proposição que não faria mal à ninguém, que queríamos o direito de escolher o melhor momento pra concorrer. 
Que não nos julgávamos melhor que ninguém, pois qualquer uma "mais velha" pode perder pra uma "mais nova" em qualquer Ciranda. 
Falei que estávamos reinvidicando o direito de lutar por um sonho.
Falei que minha mãe sempre me disse que eu poderia ser aquilo que eu quisesse, desde que eu lutasse por isso. 
Falei que agora eu estava sendo impedida. 
Que entre perder e ser impedida, eu prefiro perder.
Falei que a limitação de idade enfraquecia as entidades = a base. Pois precisavam dizer pras Prendas que desejam concorrer que elas não podiam, e tinham que insistir com algumas pra irem "na força" pois não tem outra. É a realidade de muitos.
Perguntei: Pq que não? Que mal que tem?
Comentei que o Presidente Bertolini disse na abertura do evento que o Movimento deve ser prazeroso. E que esta era uma limitação que estava fazendo muita gente sofrer.
Disse que não me acho velha pra ser aquilo que eu sempre fui.

Fomos aplaudidas, muito aplaudidas. Dividindo o salão em em três partes, digamos que um terço dele (que estava mais na frente), eram os votantes. Os outros dois era o povo todo, não só a gurizada, mas muitos outros que estavam ali, e estavam conosco.

Depois de nós, falou o Sr. Manoelito Savaris, que era o relator pela Comissão. Falou que tínhamos ultrapassado nosso tempo de falar, mas que eles haviam deixado (a platéia respondeu dizendo que eles não tinham o que dizer mesmo...). Disse que somos duas moças que falam bem, muito bem articuladas. Maaas que a Comissão era contra nossa proposição. Pois nós podemos não ser velhas, mas tb já não somos tão novas não. A platéia riu (e acho que não riu de mim). Disse que eu "escorreguei" em minhas palavras, e leu um trecho do final da minha proposição. Disse que eu estava me contradizendo.

Após isso, vieram os debatedores.
A primeira a falar foi a atual 3ª Prenda do RS. Disse que não concordava conosco pq o "couro" não fazia diferença, pois ela lavava os pratos em sua entidade, varria o chão e tudo mais. Disse que o lugar dela era colaborando e que existiam outros cargos, que ser Prenda não era tudo (ouvi vozes da platéia perguntando o que ela fazia ali com aquela faixa...).

Falou então a atual 1ª Prenda do RS, dizendo que não se poderia esquecer que uma diferença de idade tão ampla poderia gerar um choque interno nas Gestões. Também falou que existiam outros cargos, e falou que ela já ocupara outros tantos. 


As duas prendas citaram que acham que terminar a faculdade antes de ser Prenda não era fundamental, e citaram uma prenda estadual que tinha 2 faculdades quando foi 1ª Prenda do RS. Pena que elas não sabem que essa Prenda LARGOU AS 2 faculdades pra ser Prenda. Não interfere mesmo?

Um senhor que não conheço disse que queria manter os 24 anos.
Outro senhor que não sei quem é também disse que o "entre-choque" de idade poderia ser grave.
O Sr. Winck se manifestou nos apoiando, dizendo que tínhamos razão no que pedíamos. Aplausos de novo, muitos aplausos.
Não lembro quem mais falou - se falou -.

Nessa hora eu já estava tomada pela emoção. Por ter ouvido absurdos e pelas manifestações de apoio que recebíamos, principalmente dos 2 terços do fundo do salão.

Podíamos voltar ao microfone, como proponentes.

Ah, e lembro que alguém reclamou das Prendas que concorrem muitas vezes e tomam o lugar de outras.

Quando fui falar, muitos sentimentos me perseguiam, mas essa sou eu. Não segurei o choro e fiquei emocionada por ter encontrado olhares de apoio e de conforto, tanto da mesa quanto da platéia.


Tinham me dito pra ser racional, eu tentei. Mas a Tainá de verdade foi quem falou mais alto, e ela é muito passional.


Falei ao Senhor Savaris que não "escorreguei" não, que quem tivesse a oportunidade de ler minha proposição inteira iria ver que ela é bem coerente (ela está no post anterior) e que não contradiz o meu discurso (aliás, eu também poderia ter dito que ele, que se diz historiador, deveria saber de não se julga ou analisa um texto por um trecho mínimo dele).
Confirmei com as Senhoritas Prendas sobre elas terem ocupado outros cargos. Ambas confirmaram com a cabeça. Aí perguntei: Esses outros cargos fizeram vocês desistirem do sonho de vocês? Não, não fez. E NEM EU. Contei que eu tenho outros cargos, eu sou Capataz da minha entidade. Uma entidade composta de jovens universitários que, semanas atrás, sediara uma Regional de ENART para mais de 1.800 pessoas. E eu varro o chão, e eu lavo os pratos e eu faço pela minha entidade o que for preciso. EU COLABORO. Eu estava lá reinvidicando o direito de lutar por um sonho. Foi isso que eu disse.


E perguntei como que eles podiam ter medo do choque de idades se (como bem me lembrou uma moça que já foi Prenda do RS) o que este Movimento prega é o oposto?? E disse que todos nós tínhamos cantado, naquele mesmo dia, o seguinte: LADO A LADO PRENDA E PRENDINHA, TODOS JUNTOS DANDO A MÃO. AVANTE, SEGUINDO OS AVÓS, EM FRENTE TRAZENDO OS PIÁS. COISA LINDA É SE VER GERAÇÕES, CONVIVENDO NA SANTA PAZ.


E encerrei ali mesmo. Vi a 2ª Prenda do RS, Muriel, me aplaudindo de pé.
Ouvi aplausos, muitos... Gritos de apoio!

A Jessilena falou e lembrou que as Prendas de 18, 19 anos, que alguns alegavam que seriam prejudicadas, estavam ali, nos aplaudindo e nos apoiando. E então???


Mas votaram. Foram 30 e tantos votos contra 17.


Eu chorei, chorei bastante. Recebi abraços, apoio e milhares de parabéns. Ouvi palavras lindas, pessoas me disseram que se orgulhavam do que eu fiz. Entendi que semeamos algo BOM no coração de muitos. Uma pena que muitos não perceberam que o choque estava ali: Um massa de tradicionalistas - sem direito ao voto - pedindo aos que tinham este "poder" para interceder em favor deles. 17 sabiam disso e concordavam. Os outros não.

Tentamos, nós tentamos. Com todo o coração.
Pelo menos, sei que já ajudamos muitas Prendas, que podem voltar aos seus palcos. Até os 25 anos (27 no Estado).

Para estas, quero dizer duas coisas: 
1º - aproveitem a oportunidade. 
2º - e mais importante: NUNCA, NUNCA deixem de lutar por aquilo em que acreditam. Se for verdadeiro, se for sincero, vale a pena. Não deixem que esse esforço todo tenha sido em vão...

Nós não somos o futuro do Movimento. Nós somos o seu presente.

Sem a gente, não existe Ciranda e não existe Entrevero. Sem a gente, o ENART não seria nem 2% por cento do que é e a FECARS seria bem menor do que é também.

E quando vocês forem Regionais/Estaduais, HONREM aqueles que vocês representam.
Só isso...

domingo, 26 de junho de 2011

Alteração Regulamento Ciranda - Proposição para a Convenção de Taquara.

Prezados!

Conversando com tantos e tantas Rio Grande afora, chegamos a conclusão que era hora desta proposição chegar até a Convenção.

A proposição visa aumentar a idade limite para as concorrentes da Categoria Adulta na Ciranda de Prendas. Eu, honestamente, acredito que não deveria nem ter idade máxima, mas pensando no caminho mais possível de que esta proposição seja aceita, pensamos que estender q idade máxima para as concorrentes aos 30 anos seja um número suficiente para atendermos os anseios daqueles que tem enfrentada dificuldades em função desta regra que diz que as Prendas Adultas podem ter, no máximo, 24 anos para concorrer na fase Estadual da Ciranda (ou seja, no máximo 22 para assumirem como prendas de suas entidades).

Bom, não vou me estender aqui, abaixo está a proposição completa com nossas justificativas e entendimentos. "Nossa" pois esta foi elaborada com a idéia de várias pessoas, minha função foi apenas colocá-la no papel.Em especial, cito as Prendas Luna e Kelly, 18ª e 1ª RT respectivamente, com quem as figurinhas trocadas foram fundamentais para que esta proposição fosse enviada.

Enviei ela pela 13ª RT e outros(as) Tradicionalistas estão fazendo o mesmo através de suas Regiões. 

Pedimos o apoio de todos os que concordarem conosco. Seja para nos apoiar no momento em que a proposição for apresentada quanto para difundir esta idéia.

Ao final, peço a gentileza que, aqueles que concordarem e desejarem manifestar seu apoio, assinem seus nomes e/ou sua Região de origem, entidade, etc., para ganharmos mais força.

Quem quiser falar comigo, mande e-mail para taina_sv@yahoo.com.br ou pelo msn taina_sv@hotmail.com ;)

Destaquei alguns trechos com um sublinhado.

Feito, povo!


PROPOSIÇÃO

ALTERAÇÃO NO REGULAMENTO DA CIRANDA CULTURAL DE PRENDAS.



AUTOR (A)

Tainá Severo Valenzuela, DTG Noel Guarany – UFSM – 13ª RT



PROPOSTA

Alteração do Artigo 7º, Incisos V e VI (página 255 da Coletânea).



RESUMO

Propõe a seguinte nova redação:

“Art. 7º c) adulta – entre 18 (dezoito) a 30 (trinta) anos.”



JUSTIFICATIVA

Entendemos que a idade máxima de 22 anos para as Prendas da categoria Adulta assumirem os Prendados em suas entidades, de forma a estarem aptas à participarem da Ciranda Cultural de Prendas em sua fase Regional, ser uma idade muito baixa. Ainda, este item do regulamento fora aprovado em uma situação extrema, com poucas possibilidades de debate e questionamentos (Convenção Tradicionalista do ano de 2009, na cidade de Porto Alegre, com reduzido número de participantes em função do veto a destes devido ao surto da gripe H1N1 no RS). Assim, justificamos a proposta de alteração da idade máxima para as concorrentes adultas da Ciranda Cultural de Prendas, objetivo desta proposição, a partir das seguintes premissas:



         - A mulher na sociedade contemporânea.

         Diferentemente de outras eras vividas pela humanidade, a sociedade atual assiste o desabrochar da figura feminina em seus mais diversos setores. A busca por independência financeira, embasada, geralmente, no investimento no estudo e formação profissional, faz com que as mulheres, na atualidade, optem pelo casamento ou pela maternidade em idades mais avançadas do que o faziam em décadas anteriores.

         Esta realidade faz com que as entidades tradicionalistas tenham, em seu quadro de associados, um extenso número de prendas na faixa etária entre 20 e 30 anos, que são atuantes e líderes do movimento jovem tradicionalista e que, frente o atual regulamento, não podem mais se envolver com os prendados assim que completarem 23 anos. Acaba-se excluindo estas jovens de atuarem em tão significativa função no Movimento Tradicionalista Gaúcho de forma bastante precoce.



         - O enfraquecimento das bases

         As entidades tradicionalistas, sabemos, precisam e também desejam, em grande maioria, atuar no Tradicionalismo em suas mais diversas áreas. O “precisar” é alusivo à conquista de pontos na Lista de Destaques das Entidades Tradicionalistas (para que, desta forma, garantam seus direitos de atuar nos segmentos do Movimento Tradicionalista Gaúcho) e o “desejar” é referente ao real desejo de culto e valorização da cultura do Estado do Rio Grande do Sul, elemento fundamental na condição de tradicionalista.

       Ter candidatas à Prenda Regional e/ou Estadual atende à ambas situações. Mas as entidades, desta forma, precisam excluir dos Prendados internos, aquelas que não atendem às atuais exigências para serem concorrentes nas Cirandas. Precisam buscar por concorrentes menos interessadas e/ou preparadas para que não percam os pontos que lhes serão destinados, mas acabam ferindo seus valores de tradicionalistas, de valorizar as meninas, hoje mulheres, que nasceram em suas entidades e regiões e fizeram parte destas durante sua trajetória.

         Esta situação “enfraquece as bases”, ou seja, fragiliza as entidades tradicionalistas e desestimula as moças/mulheres que estão sendo consideradas já aos 23 anos de idade, “muito velhas” para ocuparem o posto de Prendas.



- O conceito

Na figura da Prenda se deposita o anseio de representar a “mulher gaúcha”. A mulher gaúcha é parte desta sociedade onde a mulher modifica suas funções e, mesmo que se torna mãe de família ao longo do tempo, é também integrante do mercado de trabalho, por exemplo.

A Prenda hoje é, também, aquela jovem mulher que precisa conciliar seus estudos, trabalho e, ainda, suas funções como tradicionalista. As meninas que vivem realidades mais confortáveis são aquelas que, justamente por serem mais novas, são Mirins e Juvenis, representando as meninas e as adolescentes gaúchas, moças que apesar da pouca idade e das responsabilidades em menor volume (geralmente atreladas à Escola), também vivem a opção de serem grandes tradicionalistas, imbuídas nos princípios e valores que esta opção indica.

A Prenda da categoria Adulta (tal qual o nome diz) não pode ser aquela que pareça encorpar a categoria de representantes de faixas etárias mais baixas. Precisam demonstrar maturidade, conhecimento do mundo que a cerca, das realidades sociais, para que desta forma possam representar as mulheres gaúchas da forma como elas merecem.



          Desta forma, justifica-se esta proposição visando que as Prendas possam ser concorrentes na Ciranda Cultural de Prendas, em sua fase Regional, com até 29 anos.

          Esta proposição visa entrar em vigor a partir da 43ª Ciranda Estadual de Prendas (2012 – Fase Regional).



Santa Maria, 10 de julho de 2011.


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Entrevista Sandro Nicoloso - Portal MTG.

Eu sou uma fã declarada do Sandro e da Lupi! Hoje vi a entrevista dele pro Portal MTG e tenho ainda mais orgulho de dizer que faço parte de um grupo de danças instruído por eles. Copiei aqui no blog a entrevista e marquei indiscretamente algumas partes muito boas e que eu assino embaixo, hehe!!!

Parabéns Sandro!
Fonte: http://www.portalmtg.com.br/noticia/entrevista-com-sandro-nicoloso

"O Portal MTG, dando continuidade à série de entrevistas com instrutores, posteiros e professores pelo Rio Grande do Sul, traz para a esta charla Sandro Nicoloso Oliveira, 46 anos, nascido e criado em Santa Maria. Acompanhe nossa prosa:
Portal – Quando começastes no tradicionalismo e quando começastes esta belíssima carreira de instrutor de danças?
Nicoloso - Bueno, era maio de 1981 na Escola João Belém. Sob a instrução da professora de Educação Artística Itajira Biacchi, literalmente comecei meus primeiros passos. Foi o primeiro contato com este mundo - digo “mundo” pois minha formação familiar, embora sendo ligada a música, nada tinha ver com cultura artística  gaúcha, mas sim italiana.
Ao acompanhar amigos nos eventos relacionados a dança gaúcha, fui descobrindo um gosto ilimitado pelo mundo gaúcho.
Após essa descoberta, fui parar não sei como no D.T.C.E. ATIRADOR ESPORTIVO, clube da cidade que estava formando um departamento artístico. E esse gaúcho, já tomado pelo gosto das danças e festivais, abraçava a participação em rodeios e o FESTIVAL DO MOBRAL (é Rogério, eu dancei no Festival do Mobral...).
Ao findar esse grupo no departamento artístico do Clube Esportivo, onde tínhamos por instrutor e amigo o gaúcho Albino Becker, hoje residente em Brasília, mudei-me de bairro. Fui convidado para integrar um novo grupo que se formava dentro do CPF Piá do Sul e trazia para comandar este trabalho o tão afamado Coreógrafo e Instrutor Pedro Pedroso.
Dali a imersão no sentimento gaúcho foi infindável, pois  recebemos o maior presente e resultado que um grupo poderia almejar: o aplauso incontido do público em reconhecimento ao trabalho realizado. Então ficamos conhecidos como o grupo da BANDEIRA, que este ano completa 21 anos.
No outro ano o grupo tornou-se GRUPO TANGARÁ CANTO E DANÇA, este já com pesquisas de folclores latino americanos, vivências de muitas viagens e  muitos dançares que contribuíram para a minha formação.
Meu primeiro grupo como instrutor foi o CTG Vaqueanos, da cidade de Restinga Seca, perto de Santa Maria. Mas não posso deixar de citar aqueles que deram crédito a este peão, como: Ponche Verde CTG (Santa Maria); CTG Sinuelo do Pago (Uruguaiana); CTG Aldeia Farroupilha (Farroupilha); CTG Campo dos Bugres (Caxias do Sul); CTG Adaga Velha (Rosário do Sul); CTG Sentinela da Querência (Santa Maria); CTG Estância Gaúcha do Planalto (Brasília-DF); CTG Sentinela da Tradição (Lucas do Rio Verde-MT); CPF Piá do Sul; CTG Francisco Casaline; CTG Os Gaudérios; e a grandes amigos que optaram em realizar um trabalho junto comigo entre eles: Douglas Gauchão (Foz do Iguaçu- PR); Luizinho Portes (Campo Grande-MS).
E gracias à todos que confiaram seus grupos e trabalhos a minha participação.
Portal – Que grupos trabalhas hoje?
Nicoloso - Sou instrutor do DTG Noel Guarany da UFSM; GAN Vaqueanos da Tradição de Soledade com Daniel Telo; DC Alma Gaúcha de Dom Pedrito juntamente com  Diego, Tiago, Bruna e Fabiele CTG Rodeio de Encruzilhada; DTG Estância Velha, estes dois na parceria do Anderson Santos.
Portal – Dos grupos trabalhados, destaque passagens interessantes que marcaram sua vida.
Nicoloso - Bueno, não tem como esquecer lá no início, com o Grupo Tangará Canto e Dança (dançarino), a emoção de ser reconhecido pelo público e aplaudido de pé por todos no antigo Fegart/88. Indescritível a sensação!
Quando no Fegart/ 97, com o CTG Aldeia Farroupilha, passar pela primeira vez para a final em Santa Cruz do Sul, grande momento e gracias aos dançarinos que fizeram parte daquele sonho.
Em  2001 no Fenart em Brasília, ser vice-campeão de danças com o CTG Estância Gaúcha do Planalto, tinha gosto de superação.
No ano seguinte 2002, o tão sonhado primeiro lugar de danças no Estadual em Brasília. Tudo corria contra, mas novamente a união daqueles dançarinos foi maior.
No ano 2007, o 3º lugar no Enart com o CPF Piá do Sul, foi a certeza que a determinação vale a pena sempre. Orgulho-me daquele trabalho e dos que ali estiveram conosco.
Em 2007 e 2008, ter auxiliado na conquista dos títulos do grupo juvenil do CPF Piá do Sul no Juvenart.
Nunca esquecendo que nosso caminho não foi trilhado somente por  conquistas, também por momentos tristes com perdas de amigos que lutavam pela mesma causa.

Portal – Na função de instrutor, não seria interessante ser trabalhadas outras questões que não só a dança?
Nicoloso - Sim, nos dias de hoje temos uma grande concorrência a  “massificação conceitual”. Ela nos leva a conceitos já prontos ou estudados e direcionados, tornando nossos  jovens  papagaios destes “estudos”.

Temos sim o dever de levar a teoria e o debate a eles, para que  o absorvam e aí sim construam seus próprios conceitos.

Hoje os grupos participam de cursos em que são instituídos argumentos estudados e tornados corretos e por muitas vezes não se importam em saber o que mais sobre o assunto.

Nossa dança  é  parte de um todo da nossa cultura, ela não é o todo.

Portal – Por que não são trabalhadas?
Nicoloso - Olha, não sei os demais colegas, mas procuro muitas vezes inserir parte destes debates dentro das salas de dança. Temos uma procura imediata por resultados, por uma melhor performance nos concursos, pois se nós instrutores não proporcionarmos resultados positivos, somos tachados de ineficientes e que ficamos nos preocupando com estes detalhes que “não são avaliados nos rodeios durante as danças”.

Fica então uma luta constante entre o que se tem que divulgar e o imediatismo dos resultados.

Portal – Por que, na tua opinião, é tão difícil se chegar a um consenso quando se trata de danças tradicionais?

Nicoloso - Acredito que por um motivo bem simples: INTERESSE PROFISSIONAL. E isso é natural, deixo bem claro. Não estou contra, é apenas uma constatação. Cada um, como se diz, “puxa a lenha pro seu assado”. Não estou falando nada de anormal, bem pelo contrário. Somos seres competitivos e não ensaiamos por ensaiar, queremos sempre mais.

Portal – Achastes importante a força “B” no ENART e nos rodeios? E a transmissão via internet?

Nicoloso - Excelente esta força B. Agora precisamos que as autoridades lhe dêem valor necessário e que organizem pequenos detalhes na sua operação, pois nela também é investido muito suor, verbas e sonhos.


A transmissão é algo necessário e de vital importância ao festival e a nossa cultura, por se propor a divulgar e levar além das fronteiras nossas tradições.
PARABÉNS A TODOS QUE FAZEM ESTE PROJETO!

Portal – O que tu sugere como motivador para os grupos que estão se preparando pra concorrer em rodeios ou mesmo no ENART?

Nicoloso – Primeiro quero dizer que devemos ter nas danças um instrumento de motivação para essa geração de jovens com seus anseios e sonhos, ensinando por meio desses grupos a disciplina, a organização de metas e a superação contínua do ser humano.


Lembrar que um rodeio e um Enart são parte de nossa história e não podem ser elementos desmotivadores ou  incentivadores da vaidade desmedida.

Nem sempre ganhamos, nem sempre perdemos, mas o respeito ao próximo deve sempre imperar.
        
Agradeço a Deus pela saúde e pela família que tenho. Gostaria de agradecer sempre a pessoa de minha esposa, instrutora e coreógrafa Luciana Fagundes, que sempre me acompanhou, dividindo as conquistas e derrotas, sempre de forma positiva e corajosa. A ti, Luciana, e a meus filhos Ícaro e Aquiles, fica meu agradecimento pela parceria pela arte.

Rogério Bastos para Portal MTG."



FEITO!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

"Justiça Histórica" - Minha prova oral da 40ª Ciranda (Regional)

Fuçando no pc, hehe, achei minha prova oral do concurso da Região, que ficou engavetada na época pois disseram que eu peguei "pesado" demais e me "orientaram" que não o publicasse em lugar nenhum, pra ver se as pessoas esqueciam dele até a Ciranda estadual. 

Virou e mexeu, eu guardei arquivadinha, pois eu também sou uma moça obediente!!! Quando algo pode vir atingir só a mim, tou na banda, hehehe! Mas se pode interferir em mais algo ou alguém, nem pensar ;)

Penso que não há mais motivo para isso. Acredito MESMO em tudo que eu disse e resolvi arriscar em falar em voz alta no meio da Ciranda Regional de 2009. Eita saudade...

Fiz a transcrição da prova e aqui ela está. Sim, transcrição, pois eu acho que decorar 8 minutos de texto pra uma prova oral de 10 minutos e deixar uns 2 minutinhos pra falar do tema, é uma coisa que não tem fundamento. 

Se o tema é sorteado, deve ser pra inibir o caso dos discursos decorebas. Não é o que nós vemos por aí...

Bom, este foi o meu "discurso". Com algumas gaguejadas, com pausas reflexivas, hehe, palavras repetitivas e tudo mais... Mas mesmo assim, confesso que me orgulho dele. Com suas falhas de oratória, foi um discurso honesto, sincero e natural. Bom, foi honesto e sincero, de minha parte. Natural pois foi o que "fluiu" na hora! Pelo menos eu acho assim =)

Lá vai...

“Quisera Deus semear a beleza do campo na alma do homem, pra ver florescer a virtude com a simplicidade que a arte resume.”


Nada melhor do que começarmos uma prova artística do que falando em Arte, que esta canção belíssima e perfeitamente interpretada por estes fantásticos músicos nos diz. Esta canção de Ângelo Franco.

Meu boa tarde, sou Tainá Severo Valenzuela, e tenho o prazer de representar nesta 40ª Ciranda Cultural de Prendas, meu querido Departamento de Tradições Gaúchas Noel Guarany, e ainda mais orgulhosa de trazer para esta tarde a presença da Universidade Federal de Santa Maria a quem eu represento através deste DTG.

Sorteei um tema que me deixou bastante feliz: “O Gaúcho e suas Façanhas”. Um pouco suspeita por ser acadêmica do curso de História, mas fiquei bastante feliz por poder trazer nesta tarde um tema que eu tenho estudado desde o início do meu curso superior.

O gaúcho e suas façanhas... (Não exatamente, mas) É o tema selecionado pelo MTG para o desfile deste ano do dia 20, e eu confesso que fiquei um pouco entristecida quando vi a descrição da temática, porque essas façanhas que são citadas são façanhas de homens, ricos, estancieiros. São homens com sua importância, sua relevância, fundamental, com certeza, na história deste Estado, porém, quem são os gaúchos? O gaúcho e suas façanhas. Quais são essas façanhas?

Quando falamos em gaúchos, nós não podemos nos dar o direito de excluirmos desta história o negro, o pobre, a mulher. Porque as façanhas não são das gaúchas, de repente?

Observando o tema para o desfile deste ano, vi que são muito bem pontuadas as temáticas com relação à façanhas dos nossos generais, em grande maioria, dos líderes do Movimento Farroupilha.

Porém porque não falamos da força dos nossos Lanceiros Negros, que mesmo sendo torturados no Rio Grande do Sul (porque, infelizmente, alguns acreditam que a escravidão no Rio Grande do Sul foi mais branda, mas as últimas pesquisas comprovam que isso não é verdade)... Porque que nós não lembramos deste escravo, que mesmo reprimido, açoitado, sofrendo, foi lá e defendeu uma causa que não era dele... Era uma causa da elite, em grande maioria, que foi defendida por estes homens.

Quando falamos das façanhas dos gaúchos, porque não falamos das façanhas dos peões pobres que morreram em campos de batalha, defendendo uma causa que, era deles, também, mas não apenas deles?

Porque não falamos das nossas Vivandeiras quando falamos em façanhas? As prostitutas do Rio Grande do Sul. Porque elas acampavam em campos de batalha, elas pegavam em armas, elas lutavam, elas morreram. Onde estão as façanhas das Vivandeiras?

É muito pouco observado isso na história do Estado.

Onde estão as façanhas das Estancieiras, que ainda é uma temática um pouco mais abordada, mas elas mantiveram a economia de um Estado inteiro enquanto os homens estavam em guerra. Onde estão as nossas estancieiras? Elas não foram apenas mães, não foram apenas esposas, não foram apenas coadjuvantes nesse processo. Foram atuantes, foram protagonistas. 

E porque quando falamos em façanhas nós lembramos do homem, e nós lembramos dos nossos generais, em grande maioria? E cito não apenas a Revolução Farroupilha porque o tema abrange o gaúcho em geral e não define o momento histórico, mas então pensemos nas façanhas, se são tão lembradas, por exemplo, as façanhas de Honório Lemes, em 1923, que desenhou a Serra do Caverá pra manter suas tropas protegidas?

A fixação... Além desta fixação na Revolução Farroupilha, me entristece observar que existem outros períodos históricos, de pessoas que lutaram tanto quanto, que morreram, que doaram suas vidas, que doaram suas propriedades por uma causa, e elas são esquecida.

Eu chamo isso, particularmente, de justiça histórica, porque eu não acho justo nós ignorarmos tantos personagens relevantes pro Estado em função de uma minoria, uma minoria elitizada.

E quando eu falo isso, trago pro momento presente, para pensarmos que, se no futuro, vamos supor, forem fazer a história do Movimento Tradicionalista Gaúcho, quem estará nesta história? Seremos nós? Será que farão conosco a mesma injustiça que muitas vezes nós fazemos com os nossos antepassados?

Será que ao falarem da história do Movimento Tradicionalista Gaúcho, estarão falando de nós que estamos aqui concorrendo, dos senhores e das senhoras que estão aqui hoje assistindo esta Ciranda? Ou será que citaremos o nome dos Presidentes do MTG? O nome dos Conselheiros do MTG? O nome de alguns Coordenadores Regionais?

Nós não temos o direito de fazer com o passado a injustiça que nós não queremos que o futuro faça com a gente.

Nós somos o Movimento Tradicionalista Gaúcho. Nós lutamos por ele. E muitos homens que são anônimos também lutaram por este Estado onde nós vivemos hoje.

E encerro minha temática da prova oral citando um pequeno trecho de uma canção que foi dançada pelo grupo Tebanos do Igaí, que ela diz:

“Quem sabe um dia, meu irmão, quem dera, meu povo aqui do Sul possa de novo levantar bandeiras, fazer nova história... E que o futuro possa se orgulhar de nós.”

Para o momento da prova oral, era isso que eu tinha para dizer para os senhores...


>>> Bom, apesar do "risco", no final deu tudo certo!! 
A melhor comemoração é sempre com vocês, meus irmãos Guaranys...


sexta-feira, 29 de abril de 2011

Pequenas Polêmicas. Grandes Negócios - Concursos MTG.

Revisando os regulamentos dos Concursos de Prendas e Peões, trago uma polêmica que vem sendo batida e debatida... E não entendida. Vamos lá, observemos!
 - Os regulamentos estão disponíveis em www.mtg.org.br -


Sobre a CIRANDA:

Capítulo III



DAS CANDIDATAS E REQUISITOS


Art. 7º - A Ciranda somente concorrerá candidata que satisfaça os seguintes requisitos:


I - representar uma Entidade de participação plena ou parcial filiada e em dia com suas obrigações com o MTG


II - ser solteira e sem filho(s), observando-se, ainda, o contido no art. 226, § 3º, da Constituição Federal de 1988, que se refere a “... união estável entre o homem e a mulher como Entidade familiar...’’;


III - haver firmado termo de compromisso de bem exercer o cargo e as atividades sociais de representação e outras a ele inerentes;


IV - estar autorizada pelos pais ou responsáveis legais;


V - ter idade, computada em 31 de maio do ano da Ciranda, na sua fase estadual:


a) mirim - entre 10 (dez) e 12 (doze) anos , até fazer 13 (treze);


b) juvenil - entre 13 (treze) a 17 (dezessete) anos, até fazer 18 (dezoito);


c) adulta - entre 18 (dezoito) e 24 (vinte e quatro) anos, não pode ter feito 25 (vinte e cinco).


VI - ter escolaridade mínima:


a) mirim – da 2ª a 6ª. série do ensino fundamental;


b) juvenil – da 5ª a 9ª. série do ensino fundamental;


c) adulta - possuir ou estar no curso de ensino médio.




Sobre o ENTREVERO:

Capítulo III



DOS CANDIDATOS E REQUISITOS

Art. 5º - Somente concorrerão os candidatos, que possuírem comprovadamente, as seguintes condições:


§ 1º - ser representante de uma entidade filiada Plena ou Parcial e em dia com suas obrigações para com o MTG;


§ 2º - ter idade computada no dia 30 de abril do ano correspondente ao concurso na fase estadual:


a) peão: 17 anos;


b) guri: 12 a 16 anos.


§ 3º - ser solteiro e sem filhos, observando-se ainda, o contido no artigo 226 § 3º da Constituição Federal de 1988 que se refere “... à união estável entre homem e mulher como entidade familiar...”;


§ 4º - estar autorizado pelos pais ou responsáveis legais;


§ 5º - haver firmado termo de compromisso de bem exercer o cargo e as atividades a ele inerentes;


§ 6º - ter escolaridade mínima:


a) peão: possuir ou estar cursando o ensino médio;


b) guri: possuir ou estar cursando a 5ª série do ensino fundamental.


 
Ou seja... Se o Movimento visa ser igualitário, POR QUAIS RAZÕES existem claras diferenciações entre as Prendas e Peões? POR QUAIS RAZÕES a idade da candidata à Prenda é limitada aos 24 anos e a dos Peões é livre?

Pequenas Polêmicas, Grandes Negócios... 
Negócio pra quem? Pois essa é a polêmica...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Swift Armour: A esperança, o progresso e a ruína.

Tive a felicidade de ter mais um artigo publicado na Revista "O Viés", com o apoio, claro, do meu queriiido Bibiano Girard. Para usar o blog também para fins educativos, hehe, reproduzo aqui a postagem do "Viés", com os créditos que merece. O original está neste link: http://www.revistaovies.com/artigos/2011/04/swift-armour-a-esperanca-o-progresso-e-a-ruina/



Segue o trabalho ;)

SWIFT ARMOUR: A ESPERANÇA, O PROGRESSO E A RUÍNA.



Local onde funcionava o restaurante para os funcionários. Foto: Bibiano Girard

O Brasil que assistia o findar do século XIX vivia transformações profundas no seio de sua sociedade, cultura e política, com grandes mudanças na formação do seu Estado.
A Monarquia, sem meios para sustentar seu império sem a mão-de-obra escrava, acaba demarcando o processo de transformação burguesa do Estado, do qual a classe média vem a se tornar principal e dirigente. O fim da escravidão (1888), a reorganização do aparelho de Estado (1889) e a Assembléia Constituinte (1891), serão base para um “tripé” que virá moldar esta formação do Estado burguês no Brasil.
A República então se instala no país. Enquanto isso, no cenário mundial, o século XX chega demarcando contendas comerciais entre potências européias, bem como a aberta rivalidade entre Alemanha e França na disputa territorial. Alianças se formam e a 1ª Guerra Mundial mostra ao fundo a face mais atroz da disputa pelo poder.
Da guerra, os Estados Unidos se sobressaem como a nova grande potência mundial e, entre as formas de manter seu poder e consolidar o sistema capitalista já em voga, distribui empresas ao redor do mundo, entre elas, os frigoríficos que irão se valer do potencial pecuário da fronteira oeste do Rio Grande do Sul no início do século XX.
Sérgio Schlesinger afirma em um estudo sobre o gado bovino brasileiro que “do começo do século 20 até a 1ª Guerra Mundial, chegam ao Brasil os grandes frigoríficos estrangeiros que sinalizam um novo cenário e que prevalece até os dias de hoje: não visam o mercado brasileiro, mas apenas a exportação de carne para a Europa”.
Esta é a realidade que irá marcar os moradores de Rosário do Sul, cidade localizada no interior do Estado do Rio Grande do Sul, na região da Campanha, na fronteira oeste, através da empresa frigorífica e de enlatados Swift Armour S/A, que inseriu em suas estruturas, trabalhadores da grande maioria das famílias da localidade. Atualmente, a cidade tem em média 41 mil habitantes e economicamente baseia-se na agricultura.
As poucas publicações que tratam da história municipal, geralmente vêm relatando episódios da fundação do município e sua breve cronologia, ainda salientando participações nos levantes armados ocorridos no Rio Grande do Sul. Porém, uma análise mais detalhada de alguns períodos, entre eles o período em que a empresa Swift Armour S/A esteve atuando em Rosário, não é estruturada.

Os rosarienses têm intrínseco em suas vivências e em suas ideologias políticas e sociais, o período de funcionamento da Swift. As ruínas da firma, que em 1963 cultivara 655 hectares, são feridas abertas no município, onde ainda se convive com o nostálgico sentimento baseado no pensamento de “se a Swift ainda existisse…”.
Os frigoríficos passaram a se instalar na região do Prata a partir de fins do século XIX, e acabam forçando uma reavaliação no sistema de produção de carne no Rio Grande do Sul, e os primeiros instalados em território rio-grandense seriam de origem americana.
Gustave Swift e Philip Armour tornaram-se duas potências no cenário de produção de carne mundial, com ampla distribuição na América do Norte e Europa, mas ao necessitarem de novas zonas criadoras, voltam-se para a América do Sul, que se torna eixo fundamental de distribuição de carne com a eclosão da Segunda Guerra Mundial.
Antônio Francisco Ransolin, apontando o imperialismo estadunidense desde a antiguidade, escrevera em sua obra “Frigoríficos no Rio Grande do Sul” que “os frigoríficos não fugiriam a regra de formar cartéis e ostentar nomes conhecidos até a atualidade como Swift, Armour, Wilson. As origens dessas companhias eram semelhantes. Houvera uma grande onda de imigração européia a partir de 1820, atrás da fartura do solo gratuito e depois a corrida do ouro. A expansão do ouro na Califórna estimulara o imigrante Philip Armour, ao invés de buscar o saturado mercado de procura do metal, tentar o abastecimento de carne do enorme contingente de mineiros, estabelecendo um pequeno açougue. Com a expansão dos negócios desviou sua atenção para a florescente Chicago. De trajetória semelhante, Gustave Swift, também imigrante, estabeleceu um açougue em Boston, em 1839. Após transferiu-se para Chicago, visando o promissor mercado interno americano, onde a partir do frigorífico formaria seu grande império de indústria de carne no mundo. A cidade de Chicago era o ponto de encontro das grandes ferrovias americanas, de onde convergiam os grandes rebanhos e de lá distribuídas para o interior local onde os grandes frigoríficos constituiriam o Beef-Trust . Abastecido o mercado americano voltam-se para a Europa, porém necessitando de zonas criadoras elaboraram planos de estabelecimento na América do Sul”.
Em 1917 a Armour adquiriu em Santana do Livramento a charqueada Santana e a companhia Swift do Brasil foi organizada em julho em Rio Grande. Instala-se em Rosário do Sul no mesmo ano como Companhia Swift do Brasil S/A – Rosário do Sul, unindo-se à Armour posteriormente.
Aline de Lima Rodrigues e Meri Lourdes Bezzi explicam em seu texto “O processo de reorganização do espaço agrário em Rosário do Sul/RS 1940 – 2000” que “o Município presenciou o processo de declínio espacial da pecuária, e que no mesmo as conseqüências foram expressivas. Em 1917 a cidade contava com a instalação do frigorífico Swift – Armour S/A. Inicialmente, Inicialmente, esse frigorífico realizava seus abates para a produção de charque o qual assumiu importância nacional tal sua expressividade na época. Posteriormente, iniciou a industrialização da carne, por influência internacional (carne bovina enlatada), assim como, contribuiu para a produção de carne cozida enlatada. Em 1962, começou a se desenvolver a produção da carne cozida congelada. Paralelamente, têm início os investimentos na industrialização de frutas e legumes (1943). Especialmente, produziram-se ervilhas em conserva, obtendo, Rosário do Sul o título de maior produtor de ervilhas do Brasil e da América Latina”.
São 65 anos que transitaram entre a esperança, o progresso e a ruína.
A Swift chegara exportar 9.240.291 quilos de alimentos em 1939, tendo abatido um montante de 501.937 cabeças de gado nos 10 anos anteriores. No período da Segunda Guerra Mundial (1939–1945), a empresa foi uma das grandes distribuidoras de alimentos para a América do Norte.


Vista do que é hoje uma parte dos escombros. Contudo, indústrias estão aproveitando o espaço aos poucos e dando vida nova ao local.

Não é apenas coincidência que o Hospital (ainda único da cidade, de 1925), a Biblioteca Municipal (1967), a construção da Ponte Marechal José de Abreu (a maior de concreto contínuo da América Latina com 1.772 metros, de 1969), o Museu Municipal (1973), Clubes como Comercial e Caixeiral, por exemplo, tenham sido erguidos no período de existência da Swift. Isto demonstra que a Swift fora o ponto fundamental para a alteração do pensamento e dos costumes da cidade, das mudanças de hábito e dos desejos de culturalização.
Pode-se perceber uma sociedade que mudava suas bases rurais e se via com novas necessidades, carente de novos ambientes, que vagassem entre a cultura e os ambientes sociais. Observam-se estas mudanças, assim como um cenário de desenvolvimento do pensamento crítico/político, através dos próprios ex-trabalhadores da empresa. Estas afirmações são corroboradas através de entrevistas realizadas com Edgar do Couto Severo, que trabalhou em diversos setores da Swift no período de 1948 a 1958, Nadir Fernandes dos Santos, que trabalhou na empresa no período de 1969 a 1970, no setor de frozen, e ainda com José Carlos Vargas Valenzuela, trabalhador da “Cabanha Azul” entre os anos de 1985 a 1991 (período que a Swift já estava desativada). A “Cabanha Azul” fora fornecedora de gado para a Swift Armour – Rosário do Sul, (entrevistas que podem ser lidas no fim do artigo).
A Empresa Swift Armour S/A trouxe ao município de Rosário do Sul um enriquecimento econômico que permitiu a estruturação de diversos setores da cidade, sem a qual, Rosário teria ficado estagnada e sem maiores perspectivas de desenvolvimento.


Local onde funcionava a Admisnitração da filial rosariense, onde chegaram a trabalhar 800 pessoas. Foto: Bibiano Girard

Muitos dos valores políticos que se mantêm na cidade tiveram origem no período em questão, manifestam-se em momentos de eleições municipais e no questionamento das figuras de cargos políticos e estão se transmitindo através das gerações de maneira informal. Este posicionamento político faz com que a história do fechamento da empresa seja avaliada através de entendimentos distintos. Muitos valores sociais e culturais se moldaram no mesmo período. A cidade mantém vivos elementos que se identificam com a Swift, onde se incluem desde até mesmo bordões populares.
Sobre o funcionamento da Swift, vê-se que a organização e a disciplina eram elementos que impressionavam os trabalhadores de uma cidade essencialmente rural. Típico das fábricas de produção em massa, a Swift mantinha horários rigorosos e atividades tão rigorosas quanto. Os trabalhos eram variados, produzia-se a carne enlatada, mas também se produzia o charque e gêneros alimentícios como ervilha (também enlatada). A cidade ostentava o título de “Capital da Ervilha”, onde ocorria até mesmo feiras e festas municipais em “homenagem” ao produto.
Conforme a situação social, a relação de parentesco e a preferência política do cidadão rosariense, a história do encerramento das atividades na Swift assume, popularmente, no mínimo, 3 contornos distintos: Que a gestão da Prefeitura Municipal do período não soube administrar a permanência da firma da cidade; Que a empresa não tinha mais interesse no município, e já havendo sugado grande parte de suas potencialidades, deixa a cidade independente dos grandes esforços que a Administração Municipal fizera para mantê-la; A empresa ruma ao estado de falência, e a Administração pouco ou nada poderia intervir nem a favor e nem contra seu mantimento na cidade.
A esperança parece ter sido o primeiro sentimento a atingir a população de Rosário do Sul em função da Swift. A espera das melhorias de vida e a expectativa de que a situação econômica da cidade não poderia entrar em colapso enquanto eles estivessem sendo protegidos pela gigante exportadora multinacional. A esperança do progresso, pois mesmo que a população não esperasse que a Swift pudesse vir a deixar a cidade, também não esperava qualquer retrocesso após tão longa e próspera temporada em solo rosariense.
A ruína, que parecia tão incoerente com tantos anos de fartura, fora sentida não apenas nos melancólicos montes de concreto que desabam das antigas e gigantescas estruturas da firma, mas no cotidiano da cidade que, com menor poder aquisitivo, diminui o ritmo da vida social, perdeu poder de compra e, em grandes massas, migrou para outras cidades.


As ruínas do matadouro. Foto: Bibiano Girard

Mesmo estando intrínseco na sociedade rosariense o próspero momento vivido no período de funcionamento da Swift Armour, não existem materiais específicos que o registrem, e tendo esta sido desativada na década de 1980, em breve, os relatos enquanto o momento vivido pela cidade e pelas formas como a existência da Swift influenciou particulares e os modos de vida, se perderão.
Ainda há muito a ser revisitado pela história para que se trace um perfil dos trâmites sociais e políticos mundiais que alteram o cenário da região de fronteira oeste do RS em função da instalação da Swift Armour S/A.
Mesmo que as opiniões venham divergir, o período e o senso popular são ricos elementos que podem ser destrinchados para a análise dos processos de fixação das empresas estrangeiras em regiões tidas por “remotas”, relevante estudo em função das formas como o capitalismo e o imperialismo norte americano conseguem atingir regiões interioranas, adaptadas à costumes mais ruralizados.
A esperança, o progresso e a ruína. São as mazelas de um povo que havia depositado suas mais sinceras expectativas no que, agora, são apenas escombros.

Entrevista com Edgar do Couto Severo

Entrevista com José Carlos Valenzuela

Entrevista com Nadir Fernandes dos Santos






SWIFT ARMOUR: A ESPERANÇA, O PROGRESSO E A RUÍNA, pelo viés da colaboradora e historiadora Tainá Valenzuela e revisado pelo redator Bibiano Girard

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Reflexões típicas... Pós Entrevero e pré Ciranda.

Me inspirei com um post da Mariana Mallmann em seu blog "Entretantos", refletindo sobre o que está faltando nas Gestões de prendas e peões que andam tão apagadas por aí. Comentei no blog dela e percebi que podia vir aqui falar um pouco também.
O post dela está em http://marianamallmann.blogspot.com/2011/04/por-que-ser-prenda-ou-peao-do-rs.html

Ela pontua 5 itens básicos que deveriam estar na mente de todos que ocupam determinados postos de destaque, sendo, resumidamente, os seguintes (concordei muuito, por isso vim aqui falar disso): 1 - Não esquecer de onde veio; 2 - Ser representativo e não apenas falar sobre ser; 3 - Ser líder (com a consciência que isto não significa "acreditar ser superior aos demais"; 4 - Conquistar espaço com confiança e responsabilidade; 5 - Faça acontecer.

Os questionamentos feitos são: "Será que nosso regulamento está favorecendo esse tipo de situação? Será que somos nós os errados, por talvez não orientarmos da forma correta os jovens (não que eu não seja mais jovem)? Será que a juventude de hoje vive com outros princípios? Será que o problema está na base, ou seja, nas nossas entidades tradicionalistas? É, são as muitas perguntas!"

São muitas mesmo...

Acredito nestes pontos acima. Acho que a sociedade em geral vive com outros princípios, mas vejo que o principal furo que está se criando está no primeiro questionamento: o regulamento favorece essa situação?

Na minha opinião: Sim, em absoluto. Comentei lá o seguinte...  

"Nossos concursos não estão estruturados para avaliar os concorrentes com todas estas questões que tu citaste. 

Hoje, os concursos nos trazem milhares de máquinas que reproduzem discursos prontos, muito bem ensaiados e, o pior, muito bem pontuados por isso.

Se o Movimento precisa de Prendas e Peões com mais liderança, os relatórios deveriam explorar ações diferentes. Se precisam de jovens espontâneos, as provas orais deveriam ser melhor avaliadas em seu conteúdo, não na sua forma de apresentação. 

Hoje, as vivências ficam de lado em nossos concursos, enquanto frases de livros são invertidas, transformadas em perguntas e geram um ponto no somatório. Não deixam espaço para questões que testem as reflexões dos concorrentes, alimentando ainda mais essa reprodução engessada de um "psuedo-conhecimento".

Concordo com tudo que tu disse sobre a falta de consciência do papel de muitos jovens que assumem seus cargos estaduais. Mas e onde estão os furos dos concursos vem premiando essa falta de consciência?

Bom, essa é minha opinião!

Vejo que as faixas encerram suas gestões tão branquinhas hoje em dia... Quem já usou qualquer faixa sabe bem que o USO as escurece, po causa do couro. Aí vejo fotos tuas e da Janine (por exemplo), em final de gestão, e penso... Mudou a qualidade do couro ou mudaram as cabeças?"


A Mariana comentou: "Tainá! Concordo plenamente com você! E acredito que suas colocações cabem exatamente naquele meu questionamento: será que nosso regulamento está favorecendo esse tipo de situação? Bom, vejo o assunto como um excelente tema para debate. É algo que precisa ser revisado urgentemente."


Realmente, é tema de debate. Ae me empolguei e vim aqui, hehe!!!

Não, não é papo aqui de Prenda recalcada perdedora. Mas se alguém quiser achar que é, tudo bem, pra mim não interfere. É na verdade papo de gente frustrada e não é com a atual gestão, é com uma sequência de eventos e pessoas que tem recebido um "fama estadual" absurdamente efêmera e inútil. Ui.

Falo de pessoas, pois algumas claro que se destacaram nos últimos anos. Não é caso com gestão tal ou tal.

Pensemos, neste espaço pós Entrevero e pré Ciranda.

Prova Oral
Fato 1: As candidatas juvenis e adultas sorteiam o tema.
Fato 2: As adultas podem falar por 10 minutos.
Fato 3: A maioria decora um texto de 8 minutos e deixa uns 2 pra falar do tema pra não ter perigo de dar furo.
Fato 4: Estas tiram notas altissimas na prova oral.
Fato 5: Estas são premiadas.

Menti? Olha, apenas raras exceções fogem desta regra. Desta forma, se premia a falta de naturalidade, a falta de espontaneidade que, evidentemente, são reflexo da falta de uma capacidade nata de expressão. Pessoas sem capacidade nata de expressão jamais terão um real senso de liderança.
Ah, o entrevero desse ano, pelo menos o de guris (que foi o que eu pude acompanhar melhor), deu um baaaaanho de expressividade e naturalidade em muuuuuitas prendas da Ciranda do ano passado. De longe. Ponto pra eles ^^ 


Relatório
Fato 1: Prendas preguiçosas fazem relatórios fakes.
Fato 2: Dificilmente se percebem estes fakes, mas também estes relatórios dificilmente recebem notas máximas. Bom...
Fato 3: Outras prendas se matam de trabalhar o ano todo.
Fato 4: Estas prendas sim, geralmente recebem notas máximas em seus relatórios.
Fato 5: Azar é o delas, o relatório vale menos que a nota de caracteres pessoais.

O relatório é engessado. Muita coisa que se faz no ano não se pode usar, então precisamos fazer ainda mais atividades "de relatório". As atividades de Prendado mesmo não são avaliadas. São avaliadas as ações bem montadinhas que vão pro relatório. Aí as vivências ficam deixadas de lado, junto com a criatividade. E vale pouco, muito pouco, pra quem trabalha. E vale muito, muito mesmo, pra quem faz nada.



Prova Artística
Fato 1:  Ela explora bastante habilidades. Bom, bom...
Fato 2: Peões sorteiam a dança de salão. Excelente.
Fato 3: Prendas escolhem a dança de salão. Depois algumas passam toda sua gestão dizendo que estão com o pé machucado e não podem ser tiradas pra dançar. Pois elas não sabem dançar. Mas elas sabem se agarrar no seu par e dançar alguma coisa desesperadamente ensaiada no concurso, por 2 minutos. Todos escolhem a dança tradicional. Acho que deveriam ser colocadas umas 10 por ano e ser sorteadas também. É O MÍNIMO conhecer as danças tradiconais. Dançar, se não sabe, APRENDE. É o 2° mínimo a saber. Depois tem aquela integração no ENART e fica todo o ginásio chocado se perguntando: "A Prenda do Estado não sabe dançar?" Ponto pro ginásio ^^
Fato 4: Contexto é bom e tem função. Que tal uma demonstração de pesquisas sobre a escolha das temáticas da prova artística? Claro, pesquisa. Não aquela repetição desenfreada de "a valsa marca a vida das mulheres...". Pois é, o ferro em brasa marca o couro dos animais. E se eu dissesse isso comparando uma coisa com a outra numa Ciranda ia chocar muita gente, mesmo que fosse verdade. O negócio hoje em dia é não inventar. Jamaaaais!
Fato 5: O comportamento durante a execução da prova artística só é considerado se for necessário. Se você for bem quista, não se preocupe em desrespeitar a faixa da região da Região que ostenta e jogue-a no chão, caso precise de uma medida desesperada se esquecer de tirá-la antes de dançar. Isso não interfere, ok?

Pois é, ironias a parte, a frustração continua. Ae quantas de nós não vão lá, fazem tudo certinho, dançam bem pq sabem, tratam todos educadamente, bem bonitinhas e... E daí né? Amadas, azar é o nosso! Nos cabe viver do orgulho de tudo que fazemos, já que mesmo sem as faixas, ainda somos aplaudidas e consideradas prendas de muita gente! Ponto pra nós!  Iei!

Peões/Guris
Fato 1: Os peões não tem o 1°, 2° e 3° lugar. Tem o Peão/Guri, o destaque Campeiro e o Destaque Artístico/Cultural.
Fato 2: Os "destaques" não necessariamente refletem uma realidade. Conheço peões que dizem claramente que "se eu fosse destaque tal teria mais sentido".
Fato 3: O concurso não é somatório para o 2° e 3° terceiro lugar da mesma forma que é para o 1°. Ou é? Mudou de novo? O regulamento muda com frequência em função disso. Na real este é o fato 3.
Fato 4: O concurso só será justo quando premiar as 3 notas mais altas, independentemente da prova. Senão não se privilegia o "conjunto completo".
Fato 5: Peões e Guris precisam fazer 50% da prova escrita. Excelente. O problema mesmo é a prova em si (o último item).

Tudo bem que "1° Peão" ou "2° Peão" não é uma nomenclatura bonita. Mas a palavra "Destaque tal-coisa" me lembra as escolas de samba desde a primeira vez que ouvi a expressão. Logo, acho que a nomenclatura não foi escolhida por sua "boniteza". Podemos pensar em nomes novos né? Não tenho sugestões no momento, mas vou seguir pensando...


Mostra Folclórica
Fato 1: As prendas precisam pesquisar para executá-la. Excelente.
Fato 2: Nem todas as prendas pesquisam, acham meia dúzia de bobagem e colocam a palavra PESQUISA em cima. São pontuadas da mesma forma que as demais.
Fato 3: Os cenários não contam. Excelente. Agora me convence que isso é verdade.
Fato 4: O espaço de 2x2 para a Mostra é suficiente. E eu choco com as mirabolâncias que fazem num 2x2.
Fato 5: Cada jurada dá uma nota inteira pra Mostra. Acredito que, se um avaliasse pesquisa, o outro a oratória, o outro a desenvoltura da Prenda para executar o que demonstra, teríamos notas mais justas. E que todos avaliassem o contexto do cenário conforme o item que avaliam,

Confabulando... Os cenários deveriam valer. NÃO NO SEU PORTE, mas na sua lógica e sua relação com o contexto. Se tiver UM objeto no cenário, ele deve ter sua função. Se houver 20, eles devem ter sua função. E valer a mesma coisa. Ainda, a pesquisa deveria ter nexo com o que foi apresentado. Vai dizer que, entregando a pesquisa junto com a mostra, que os jurados passam toda a noite lendo pesquisas. Aham... É muita Cláudia pra pouca cadeira mesmo. Agora vai junto com o relatório, né? Melhor, melhor.

Caracteres pessoais
Fato 1: Vale muito (15 pontos, só vale menos que a prova escrita)
Fato 2: Não é um item claro e permite a subjetividade em demasia.
Fato 3: Contraria os princípios do Concurso, que se orgulha de não ser um concurso de beleza.
Fato 4: Muitas prendas já foram prejudicadas diretamente por esta nota, sem fundamento algum.
Fato 5: É conhecida como a nota que define o concurso. Pois, em sua subjetividade, autoriza os jurados) ou os responsáveis por julgar os jurados), a deixar o resultado ao gosto do freguês.

Minha nota de caracteres na 40ª Ciranda foi uma das mais baixas. Pq eu não sei, e se dizia nas planilhas eu tb não sei, já que elas nunca chegaram na minha mão. Não, eu nunca vou deixar de lembrar o mundo todo disso. Bom, eu estava bem pilchadinha, bem penteadinha, bem maquiadinha e bem educadinha. E nem atirei minha faixa no chão, nem falei texto decorado =) Então não sei e nunca saberei o motivo da minha nota power baixa. Devem ter me achado feinha. Mas, segundo o regulamento, a nota avalia as boas maneiras e simpatia da Prenda, não é? E quem me conhece sabe, eu sou um amorzinho ^^ Beleza é só um detalhezinho da nota. Tudo no inho. Que nem o regulamento.

Prova Escrita
Fato 1: É mal elaborada.
Fato 2: Não é elaborada por especialistas no tema (como historiadores e geógrafos), o que a faz mal elaborada.
Fato 3: É baseada numa bibliografia desatualizada e os livros recentes que usam são péssimos.
Fato 4: Faz com que os concorrentes caiam na decoreba e não aprendam bulhufas (olha, a decoreba de novo! Não pense, não reflita... Reproduza!)
Fato 5: Vale muito (30 pontos).

A prova dos concursos é, digamos assim, ridícula. Completamente ridícula. Não é reflexo de conhecimento, é reflexo da capacidade de decorar livros velhos e ruins. Basta pegar um parágrafo de livro e inverter sua ordem, transformando-o em pergunta. Este ano, na prova dos guris caiu "onde nasceu e onde morreu Bento Gonçalves". Que diabos de diferença faz essa gurizada saber disso? Diferença faz eles entenderem a Revolução Farroupilha no contexto regional e nacional.
Todo ano cai algo sobre o Movimento da Legalidade. NENHUMA vez caiu algum questionamento sobre o que ele foi, em que momento político aconteceu, sua importância e a importância de Leonel Brizola. Sabendo as palavras "Movimento da Legalidade" associada a "Leonel Brizola", é uma questão garantida. Ponto pra você ¬¬
Sobre ela valer muito,  faz com que o conjunto do canditato seja desprestigiado. Vocês já ouviram essa frase: "Aquela guria ganhou alguma coisa? Mas a criatura não sabe dançar, falou mal, é uma nojeira..." Resposta: "Pois é, mas disparou na prova escrita". A pessoa se frustra, mas, que maldade... Desconsiderou que a pessoa decora muito bem. (Sim, foi irônico.)
Falarei sobre a prova escrita em outra oportunidade, inclusive com exemplo de questões.
Deixo assim por enquanto...

Enfim, minha opinião. É a minha. Muitos vão discordar, outros vão concordar. Outros talvez concordem me dizendo que eu tenho que "pegar mais leve". Eu volto dizendo que tenho o direito de me expressar como eu achar mais conveniente.

E me deixa chateada pois a gente começa a ajudar uma gurizada muuito buena pra os concursos, e precisa que eles deixem de lado muita coisa boa deles pra poder ter chance de concorrer a um cargo. Tem que deixar de explorar a inteligência e a criatividade pois sabemos que a prova escrita vai pedir que eles saibam algumas coisas de forma beem decorada.

Mesmo que os valores mudem, alguns se mantém em muita gente. E em outros, se transformam. Cabe valorizar isso tudo, entender as mudanças do mundo e valorizar quem ama o que faz, e sabe fazer.

P.S.:  Agradeço a Mariana por me autorizar citar o blog dela aqui. E lembrar claro, que o post dela me serviu de inspiração, e não estou reproduzinho palavras de ninguém nas minhas considerações (vá que alguém queira interpretar mal, e sempre tem...).